Reunião de Pais

Acreditamos que a reunião de pais é uma ação que deve ser tomada ainda nos primeiros dias de retorno às aulas.
O motivo é simples: a reunião de pais ainda é o recurso mais eficaz para criar uma relação de parceria eficiente entre família e escola. Mas, é inegável que, cada vez mais, as famílias deixam de participar da reunião de pais, e é quase que senso comum entre muitos professores a frase "os pais que mais precisam participar não comparecem".
Pensando nisso, propomos estratégias para chamar atenção dos pais, e aproximar a relação entre família e escola.

1- troque as "convocações" por "convites", não apenas nos bilhetes, mas na postura de lidar com o evento. Uma "convocação" parte de alguém superior, não existe escolha na convocação, o convocado deve acatar, ou então, ele falha. Um convite é aberto as possibilidades, quem convida assume a postura de querer ou precisar do outro. O convidado tem direito à escolha, é importante, é ouvido. Por isto, torcemos o nariz para convocações, e nos dispomos a "pensar com carinho" nos convite.

Mas isto não é resolvido apenas ao trocar as palavras nos bilhetes. Isto precisa ser vivenciado de forma prática durante as reuniões. Como fazemos isso? Eis algumas propostas:

1- trocar a reunião em salas de aula fechadas, com apresentação expositiva, para outros espaços da escola, acompanhadas de dinâmicas que estimulem a participação ativa dos pais. Juntamente com a participação ativa dos pais, é aconselhável tornar o evento mais intimista. Para isto, propomos a realização de piqueniques, café da manhã, almoço com as crianças, uma tarde de jogos, entre outras demandas.

Abaixo duas propostas de dinâmicas para reunião com pais:

1- O desafio da caixa.
Objetivo: Instigar os pais e responsáveis para exporem suas ideias.
Construir um ambiente divertido e prazeroso para a reunião.

Prepare uma caixa e lacre-a. Diga aos pais que dentro da caixa tem uma "prenda" e que um dos pais que estiver presente ali deverá realizar a prenda. Todos vão gostar da prenda, menos o pai que for realizar.
O responsável que deverá realizar a prenda será escolhido por meio do jogo "batatinha quente". Mas, tem um detalhe: os 3 primeiros pais que "queimarem a batatinha" poderão escolher se realizarão a prenda, ou se continuarão o jogo da batatinha quente, para que outro seja escolhido.

O sucesso desta dinâmica está no "suspense" que o condutor vai provocar nos pais. Quanto mais os pais ficarem receosos em aceitar "pagar a prenda", melhor.

Ao final, quando um pai topar realizar a prenda, ou acabar as três primeiras rodadas do "batatinha quente", peça que ele abra a caixa e leia em voz alta a mensagem escrita:

"Senhores pais, mães, responsáveis em geral, desafiamos vocês a responderem a rodada de perguntas. São perguntas fundamentais para o sucesso da vida escolar do filho de vocês:

1- Quais são as expectativas que você tem em relação ao ano letivo do seu filho? O que você espera que ele aprenda e vivencie na escola?
2- Quando você tinha a idade dele, e estava cursando o ano escolar dele, quais eram as suas expectativas como aluno?
3- O que você espera de uma boa escola para seu filho?
4- O que você esperava de uma boa escola enquanto aluno?
5- O que você acha que seu filho espera de uma boa escola?
6- O que você considera que são pais participativos na vida escolar do filho?
7- Analisando a sua participação e envolvimento com a rotina escolar do seu filho, você considera que foi um pai participativo até o dia de hoje? Por quê?
8- Quais as maiores falhas e virtudes que você percebe na nossa escola?
9- O que você gostaria de saber sobre o professor do seu filho?
10- Como você incentiva os estudos do seu filho?
11- O que você acha que é "papel da escola" e "papel dos pais"?

Todos os pais devem participar e responder o máximo de perguntas que conseguirem. Se, e somente se, todos os pais participarem, haverá uma recompensa deliciosa para todos nós".

O condutor da atividade deve organizar o quadro negro em colunas, e ir anotando as respostas que achar pertinente para iniciarem uma conversa, sobre o ano letivo que se inicia, ou sobre qualquer tema que quiser abordar na reunião.
Você pode e deve ajustar as perguntas de acordo com a necessidade da reunião.

Inicie uma conversa com os pais a partir das perguntas e durante essa conversa exponha as propostas pedagógicas da escola. Estabeleça acordos e deixe bem claro como os pais devem acompanhar o ano letivo do filho. Ao final, revele que na sala existe uma caixa escondida que eles devem encontrar. Coloque alguma guloseima dentro da caixa, para que os pais possam saborear durante a reunião.

2- Carta para meu filho.
Objetivo: estimular o estudante a se empenhar nos estudos. Proporcionar um espaço de diálogo entre família e estudante para pensarem a trajetória escolar.

A proposta desta atividade é bem simples, e ela é inspirada no hábito comum que escolas têm de solicitarem que os estudantes (especialmente crianças) criem "lembrancinhas" para seus familiares.
Nesta atividade invertemos os papeis. Desta vez, serão os pais que confeccionaram algo para os filhos.

Será solicitado que os pais escrevam duas cartas para seus filhos; a primeira, será entregue e lida por seus filhos imediatamente. A segunda, será entregue e lida no final do ano letivo.

Na primeira, os responsáveis deverão revelar/narrar histórias que eles viveram durante o período que estiveram na escola, e também, apontar expectativas e incentivar que o filho aproveite a oportunidade de estar na escola.

Na segunda carta os responsáveis deverão expor um plano de férias, e comemoração familiar pelas vitórias, derrotas, erros e acertos que foram vivenciados durante o ano letivo, compreendendo que todas as experiências contribuem para o crescimento e evolução dos filhos.

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As duas propostas de dinâmicas são simples, não exigem recursos complexos, podem ser executadas e adaptadas para qualquer reunião entre "pais e mestres", mas é importante lembrar que a reunião só será significativa se os pais, de fato, receberem espaço para serem agentes ativos e participativos da vida escolar dos filhos.

A escola precisa pensar, constantemente, maneiras de chamar a família para se aproximar da rotina escolar, compreendendo e assumindo que uma educação de qualidade acontece quando nichos escolares se unem aos demais contextos sociais do aluno.


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