Educação inclusiva e os entraves enfrentados pelo professor na sala de aula.

Este artigo foi apresentado no II CONGRESSO NACIONAL DO PROFESSOR TRANSFORMADOR - II CONPROFT.

Apresentação do artigo em vídeo

EDUCAÇÃO INCLUSIVA E OS ENTRAVES ENFRENTADOS PELO PROFESSOR NA SALA DE AULA

 

Carla Kiane da Silva Martins[1] - Uniasselvi

Christiane Araújo da Silva[2] - Uniasselvi

 

RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar e compreender as dificuldades encontradas pelo professor nas salas de aula onde há educação inclusiva de alunos com qualquer tipo de deficiência. Visa-se também explorar os acontecimentos históricos que constituem a Educação Especial e a Educação Inclusiva no Brasil. Atualmente inúmeras instituições de ensino que ofertam a educação regular, aderiram a inclusão de alunos especiais nas salas de aula com os demais alunos; entretanto durante o processo de inclusão surgem empecilhos que dificultam a evolução e o desenvolvimento pleno do aluno especial. Para a elaboração desta pesquisa foi utilizada a pesquisa bibliográfica para o levantamento de conteúdo a respeito da análise da historicidade da Educação Especial e Inclusiva no Brasil. Foi empregado a pesquisa de campo para a observação da prática e da realidade existente dentre da sala de aula onde o aluno com deficiência está inserido e de como a professora lida com tais dificuldades deparadas no processo de ensino e aprendizagem do aluno.

 

Palavras-chave: Educação. Inclusão. Aluno.

 

1 INTRODUÇÃO

            Percebe-se atualmente uma grande demanda de escolas de ensino regular que usam métodos da Educação Inclusiva como ferramenta para a matrícula de alunos com deficiência em suas salas de aula. Ainda assim, na maioria dessas instituições os estudantes são inseridos sem que haja a mínima condição para o seu desenvolvimento. Tal conjuntura resulta de várias ações e etapas que foram deixados de lado, prejudicando ainda mais a convivência do aluno em sociedade.

            A Educação Inclusiva e a Educação Especial são direitos que garantem o acesso da pessoa com deficiência a educação e a cidadania, a formulação de decretos e leis que amparam as pessoas com deficiência revelam a mudança de pensamento que essas pessoas despertavam na sociedade séculos atrás. No qual eram excluídas e direcionadas a lugares distantes das cidades e de sua família, felizmente com a evolução da medicina viu-se na educação uma alternativa de progresso e evolução dessas pessoas; para que ocorra é necessário que os professores estejam preparados e capacitados.

O objetivo deste artigo é analisar as dificuldades e os entraves que o professor enfrenta ao se deparar com um aluno com necessidades educacionais especiais em sua sala de aula. Com a observação do docente e do aluno especial, visa-se expor e compreender os métodos escolhidos pelo professor para que o processo educacional obtenha resultados.

Tendo como finalidade a investigação do processo histórico sobre a Educação Especial e Inclusiva, este trabalho utilizará o método documental e bibliográfico como recurso para obtenção de informações. Através da pesquisa de campo, pretende-se fazer a observação e o levantamento de dados para a compreensão a respeito da prática educativa utilizado pelo professor como recurso educativo para educar alunos especiais.

 

2 BREVE CONTEXTO HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL

            Nossos antepassados lutavam pela sobrevivência em grupos, caminhavam por dias em busca de alimento e de um local seguro para repousarem, aqueles que apresentassem qualquer dificuldade era visto como empecilho e abandonado, sem qualquer sentimento de compaixão ou culpa. Este ato, era tido como necessário para a sobrevivência e perpetuação da espécie, permanecendo no grupo somente aqueles que aparentavam estar saudáveis e resistente para defender o grupo de qualquer ameaça de perigo existente. Tal exclusão das pessoas com deficiências transpassou séculos e gerações dos mais distintos povos, algo que infelizmente ainda persiste em nossa sociedade atual.

            Na época da Roma e do Egito Antigo as pessoas com deficiências eram retiradas do convívio de sua família e levadas a lugares distantes, em outros casos eram mortas ou deixadas para morrerem.  A autora Marlei Floriani relata tal fato citando Gugel (apud Platão) em seu primeiro capítulo do livro Educação Inclusiva, nele Floriani salienta que  tal conduta era realizada visando a não existência de adultos com qualquer tipo de deficiência, dessa forma não haveria adultos deficientes; existiriam somente homens sadios e vigorosos, aptos a se tornarem soldados e lutarem em defesa das cidades. Com o decorrer dos séculos, após muito estudos descobriu-se as origens e os motivos de várias deficiências, como forma de diminuir a exclusão das pessoas deficientes, a medicina aliou-se a educação; surgindo assim a Educação Especial. No final do século XX, a Educação Especial no Brasil seguia os métodos vindos da Europa, como muitas crianças eram deixadas em portas de igrejas e conventos, esses foram os primeiros lugares a se aprofundarem nos cuidados a pessoas com deficiência.

            A Constituição Federal de 1988 foi desenvolvida para promover o bem de todos, sem preconceitos ou qualquer forma de discriminação. Ela garante a Educação como direito de todos, com o objetivo de promover a cidadania. Com a garantia em Lei ao acesso as Escolas de Ensino Regular, muitos alunos com deficiência passaram a frequentar as salas de aulas, este acontecimento é chamado de Educação Inclusiva, no qual o aluno com deficiência é incluindo nas salas aos demais alunos que não aparentam portar algum tipo de deficiência. Inúmeros são os benefícios dessa inclusão para todos os envolvidos, sendo o primordial deles o desenvolvimento do sentimento de respeito as diferenças existentes no individuo e suas particularidades. Entretanto, quando há a inclusão sem estrutura para receber esse aluno com deficiência, ocorre somente a integração. Para que haja uma melhor compreensão dos termos citados acima, Floriani (apud Silveira e Monteiro) enfatiza que:

Educação Inclusiva: trata-se da inclusão de alunos com necessidades especiais em escolas comuns. Exclusão: ocorre quando separamos os alunos com necessidades especiais, não considerando a diversidade e limitando a participação de todos. Segregação: ocorre quando as crianças com necessidades especiais são isoladas e separadas em grupos, em instituições de atendimento especializado, sem frequentar a escola comum. Integração: insere o aluno no contexto escolar, mas não o inclui. Trata-se do aluno especial na educação. Inclusão: Considera a diversidade e as necessidades de todos os alunos, garantindo o acesso, a permanência e a participação deles em salas de aulas comuns (FLORIANI apud SILVEIRA E MONTEIRO, 2017, p. 45).

            A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional além de garantir a inclusão das pessoas com deficiência ao acesso do ensino regular, também recomenda e garante a formação dos professores que terão esses alunos em suas salas de aula. É notório inclusive, em todas as leis que regem as pessoas com deficiências a obrigatoriedade de uma formação específica, visando o melhor desenvolvimento delas. Atualmente, nas novas grades de cursos voltados a Educação são compostas por disciplinas relacionada a inclusão, tais como Língua Brasileira de Sinais, Educação Inclusiva, Educação e Diversidade, Políticas Educacionais[3] dentre outras. Contudo, somente o contato com essas matérias durante a graduação não são suficientes para o ensino de qualidade dos alunos com deficiência, exigindo formações constantes dos professores. A falta de formação continuada é atualmente uma das principais dificuldades enfrentadas pelo professor da educação inclusiva, algo observado durante a realização desta pesquisa.

A pesquisa foi realizada em uma Escola Municipal localizada no Amazonas, o objeto de estudo foi um professor que leciona em uma sala de Ensino Fundamental. Dentro os 15 alunos, ele tem 1 aluno que apresenta dificuldades de aprendizagem e de fala, infelizmente devida a falta de recursos a família não procurou assistência médica e o aluno não tem laudo médico. Conforme relato do professor, ao assumir a turma notou que o determinado aluno não interagia com as demais crianças de sua idade. Foi então ao encontro do Apoio pedagógico relatar a situação, foi informado que nada poderia ser feita devida a ausência de laudo médico.

Inconformado com a situação e devido a experiência adquirida após anos de docência, o professor iniciou a busca por materiais que ajudasse no ensino daquele aluno. Primeiramente, ele observou quais eram as dificuldades visíveis do aluno, foi então que o professor foi em busca de outros professores que tinham trabalhados com turmas de alfabetização, busca qualquer tipo de informação. Após essa primeira etapa, o professor começou a fazer dois planos de aula: um plano de acordo com a série e recomendações da Secretária e outro; conforme observava e presumia corresponder a necessidade de seu aluno.

Letícia Camargo ressalta em sua pesquisa sobre a formação docente da educação inclusiva que:

Sendo um dos agentes responsáveis pelo funcionamento da escola e o principal responsável pela sua tarefa fundamental – a aprendizagem dos alunos – atualmente enfrenta os desafios da mudança de paradigma da educação, pois novas realidades fazem-se presentes no ambiente escolar. A maior parte dos profissionais ainda tem dificuldades para receber crianças especiais em suas salas de aula, pois enfrentam o problema da capacitação deficiente e o preconceito de alguns pais. (CAMARGO, 2015 p. 6835).

            Observou-se que os esforços do professor estão surtindo efeitos positivos, após 07 meses de dedicação, hoje o aluno consegue segurar o lápis e contornar as linhas das vogais, além de reconhecê-las. Devido ao tempo convivido, o professor consegue reconhecer desejos do aluno, como ir ao banheiro ou vontade de beber água. Durante a realização, notou-se o impacto que a falta de formação especializada causa no docente, ele se sente incapaz de ensinar aquele aluno mesmo perante tantos esforços. Neste caso específico, a falta de formação especializada decorre devido à falta de comprovantes, mas que precisa ser analisado e constatado por médicos e especialistas.

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Durante a realização desta pesquisa observou-se a quão a escassez de conhecimento e informação do professor no que tange a Educação Especial e Inclusiva torna difícil o ensino as crianças, jovens, adultos e até idosos que tenham algum tipo de deficiência. A falta de comprometimento do docente com a missão de educar é algo que dificulta muito a aprendizagem de alunos especiais. Embora vez ou outra existir exceções que vão muito além do que lhe é ensinado ou lhe é exigido, e mesmo após décadas ainda permanece nas pessoas o pensamento arcaico de exclusão existente no tempo primitivo.

            Platão em seus escritos descreveu como as pessoas com deficiência eram tratadas e infelizmente ainda vivemos essa realidade. Após a formulação de inúmeras leis que amparam e garantem o direito do acesso as mesmas coisas de um cidadão tido como normal, as pessoas com deficiência lutam para serem reconhecidas e acima de tudo, respeitadas. Nas escolas onde se formam cidadãos aptos a viverem em sociedade, são um dos lugares onde mais excluem na tentativa frustrada de incluir.  

            Há 23 anos atrás, a LDB explana os direitos e os deveres e a necessária para que a educação especial e/ou inclusiva ocorra adequadamente, todavia, na maioria das escolas do país tais orientação são deixadas de lado. Acredita-se, porém, ser possível a inclusão nas unidades de ensino regular, sem que se transforme somente numa integração; diminuindo assim, cada vez mais a segregação e até mesmo a exclusão. Salvo é claro em casos específicos no qual seja extremamente necessário que o aluno frequente instituições especializadas em suas deficiências ou transtornos.   

            No que tange as dificuldades relacionadas a falta de capacitação do docente na educação inclusiva, mesmo com a presença de matérias relacionadas ao assunto, não é o suficiente para a realidade encontradas nas salas de aulas. Os conteúdos ofertados nas grades curriculares devem ser considerados como ao introdutório, necessitando muito mais estudo e aprofundamento no assunto. Sugere-se que estudantes de cursos sobre Educação devam buscar conhecimentos complementares por meio de cursos e especializações, tendo em vista que a qualquer momento terá um aluno com necessidade de um ensino especial dentro da sua sala de aula.

A luz do que cita Camargo onde os professores são os principais agentes responsáveis pelo funcionamento da escola, é extremante necessário que eles estejam em constante formação, atualizando métodos e buscando novos recursos que os auxiliem nessa árdua jornada que é a de educar. Entretanto, a carência de informações e o despreparo tornam-se fortes desestímulos na carreira docente frente ao surgimento de novos obstáculos no processo de aprendizagem de seus alunos. Mediante circunstâncias, há professores como o desta pesquisa, que mesmo não tendo formação específica para ensinar seu aluno, buscou de forma simplória agregar conhecimentos e métodos que o ajudasse a educar aquele aluno, que para ele é tão importante e tão capaz como qualquer outro.

            Finalizo esta pesquisa parafraseando o Patrono da Educação Brasileira, professor Paulo Freire onde ele destaca que ser professor é um ato revolucionário e de extremo amor, e que os professores aprendem mais com os alunos, do que os alunos com eles.

 

REFERENCIAS

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. 35. ed. Câmara dos Deputados: Edições Câmara, 2012.

BRASIL, Ministério de Educação e Cultura. LDB - Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996 - Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996.

CAMARGO, Leticia Ferreto. Perspectivas sobre a Educação Inclusiva: Um desafio possível. Faculdades Integradas Santa Cruz: 2015.

FLORIANI, Marlei Adriana Beyer. Educação Inclusiva. Indaial: Uniasselvi, 2017.



[1] Graduanda no Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia.

[2] Professora Orientadora especialista em Docência do Ensino Superior; Educação a Distância Gestão e Tutoria e Educação Especial e Inclusiva.

[3] Disciplinas retiradas da grade curricular do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia ofertado pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci – Uniasselvi polo Djalma Batista.


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